Programa de Apoio ao Desenvolvimento Local na Reserva do Paiva e Comunidades Vizinhas

A construção de um novo tipo de relação Estado-Sociedade-Mercado requer a reapropriação da política pela cidadania, assim como a existência dos novos espaços públicos para o debate sobre as alternativas de desenvolvimento para o século 21.

Desenvolvimento como um processo de mudanças qualitativas, como categoria central de sua filosofia, que além dos bens materiais contempla outros elementos, como o conhecimento, o reconhecimento social e cultural, os códigos éticos e espirituais de conduta, a relação com a natureza, os valores humanos e o que queremos enquanto futuro da espécie humana. E isso só acontecerá com a verdadeira participação das pessoas e das diversas institucionalidades que representem a nova cultura política, isto é, com a nova governança.

Consideramos o território como espaço de ação e poder e, portanto, ator inteligente e portador de protagonismo nos processos de mudança social. São as chamadas redes de poder socioterritorial. O território é um produto da prática social, dos atores sociais, seus nós, suas redes e suas tramas produtivas.   

A prática de uma postura de responsabilidade social corporativa está diretamente ligada à percepção de fatores intangíveis que agregam valores tangíveis à organização, tais como aumento de receita, redução de custos e aumento de competitividade. Trata-se de estímulo interno para inovação de processos e produtos, aumento da demanda por seus produtos e participação no mercado, ambiente externo favorável à cooperação empresarial, fatores de competitividade sistêmica e redução da instabilidade política e institucional local.

O local possui ativos endógenos importantes que devem ser contemplados numa estratégia de desenvolvimento que busque a equidade social e a sustentabilidade ambiental.

O desenvolvimento sustentável não é um processo que dependa somente das diretrizes e intervenções do Estado, nem tampouco é o resultado exclusivo das atividades empresariais privadas: o desenvolvimento depende da forma como o conjunto da comunidade organiza a produção social. De fato, a conquista da eficiência produtiva e a competitividade das empresas privadas são função “sistêmica” de todo um conjunto de atividades que envolvem a sociedade, como: a educação e a capacitação de recursos humanos, a saúde, a higiene e a habitação, a adequada resolução de conflitos no sistema judicial e, sobretudo, as medidas dirigidas para garantir a disponibilidade de recursos estratégicos ou serviços avançados de apoio à produção na tríplice frente da informação, capacitação, tecnologia, mercados e acesso a financiamento.

Por isso, destaca-se que a competitividade é “sistêmica”, já que depende de todos os elementos do ambiente imediato da empresa. A qualidade deste ambiente territorial é, pois, determinante para a eficiência produtiva e a competitividade das empresas, ao permitir a redução de seus “custos de transação” (Williamson, 1989).

Numa perspectiva de sustentabilidade, o sucesso das empresas depende dos avanços na área social, assim como o enfrentamento das grandes questões sociais, estão a depender da sustentabilidade econômica das empresas e da sua contribuição direta e indireta na área social.

Como um mega empreendimento imobiliário nacional, a Reserva do Paiva deverá se constituir numa referência de inovação social,atendendo, inclusive, os novos referenciais de Responsabilidade Social Empresarial da ISO 26000, que contemplam o compromisso com o desenvolvimento socioeconômico do território.

O objetivo do Programa é contribuir para o desenvolvimento local sustentável na Reserva do Paiva e adjacências, buscando a gestão compartilhada, a melhoria das condições de vida, da ocupação e da renda de comunidades do território.

Para permitir a aplicação na prática das estratégias de desenvolvimento local, serão implementados processos de mobilização, capacitação, articulação e concertação de atores locais nas comunidades de Paiva, Itapoama, Xaréu e Enseada, no município do Cabo de Santo Agostinho/PE, que estimulem a participação social, o fortalecimento e diversificação de atividades econômicas e a racionalidade no uso dos ativos ambientais, articulando-as com as ações do grande empreendimento imobiliário da Odebrecht na Reserva do Paiva.

As lições aprendidas deverão permitir a replicação em novos territórios, onde a empresa realize empreendimentos de grande porte e possa implementar outras ações de apoio ao Desenvolvimento Local.

A metodologia de construção social do território Reserva do Paiva e seu entorno, “lugar de gente solidária“,se desenvolverá a partir dos seguintes componentes iniciais:

-          Realização do levantamento de informações preliminares;

-          Leitura dos materiais existentes;

-          Identificação e sensibilização das lideranças;

-          Entrevistas qualificadas no território;

-          Mobilização de atores e diagnóstico participativo;

-          Constituição de um Núcleo de apoio ao Projeto, com a participação da Associação Geral da Reserva do Paiva;

-          Elaboração do Marco Lógico do Programa.

-          Elaboração de um Plano de Ação com visão de futuro compartilhada;

-          Capacitação do Núcleo para a geração de competências locais;

Os outros componentes específicos  serão:

-          Componente 1: Constituição da Agenda 21 Local da Reserva do Paiva e Formação de Grupos de Agentes  Ambientais;

-          Componente 2: Incubadora de Projetos - Empreendedorismo Social e de Negócios;

-          Componente 3:  Desenvolvimento  da Economia Criativa;

Alguns Princípios deverão nortear a prática dos facilitadores do IADH e parceiros e que, portanto, serão norteadores das temáticas, dos conteúdos, das dinâmicas e técnicas de formação:

-          Orientação para o desenvolvimento local sustentável;

-          Caráter participativo e formativo;

-          Geração de conhecimento através da reflexão sobre a ação;

-          Cooperação e interdisciplinaridade;

-          Visão sistêmica;

-          Flexibilidade;

-          Equidade de gênero;

Os principais Produtos/Resultados da implementação dessas atividades propostas serão:

-      Atores sociais mobilizados e sensibilizados para a perspectiva do Desenvolvimento Local;

-      Equipe de facilitadores locais com formação básica  em  DL;

-      Fórum/Comitê de Desenvolvimento Local implantado  e em funcionamento

-      Projetos produtivos e sociais selecionados e em processo de incubação;

-      Estratégias para melhoria da qualidade ambiental construídas e em implantação pelos atores sociais;

-      Grupo de jovens capacitados e atuando como agentes ambientais;

-      Jovens da comunidade desenvolvendo atividades culturais de forma cooperada;

-      Modelo Referencial de atuação em DL como estratégia de RSC, construído a partir da experiência no Território contemplado;

A coordenação do processo de monitoramento será uma ação conjunta entre o IADH e a Associação Geral da Reserva do Paiva. Para isto, todo o monitoramento será estruturado a partir de indicadores que permitirão acompanhar a implementação do projeto, exercitando permanentemente o ciclo da gestão.

Estes indicadores serão definidos na Matriz de Marco Lógico do Programa, instrumento de pactuação consensuada que reunirá as principais referências para acompanhar o Fim (objetivo superior) e os Propósitos (objetivos específicos) do Programa, além de Componentes, Resultados e Atividades. A análise destes indicadores dar-se-á por meio de reuniões conjuntas e análise de relatórios de desenvolvimento das atividades.

O Que é o IADH?

O Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que tem como missão desenvolver capacidades de pessoas e organizações em estratégias  e processos de desenvolvimento local  sustentável.

Quais são seus Objetivos?

O Instituto trabalha para fortalecer o capital social dos territórios, a base econômica local e a governança. A finalidade é contribuir para a construção de alternativas a fim de promover o desenvolvimento humano sustentável.

Metodologia

O trabalho desenvolvido pelo IADH é baseado na Metodologia GESPAR - Gestão Participativa para o Desenvolvimento Local. Esta metodologia é síntese da concepção e prática de dez anos de apoio ao Desenvolvimento Local realizada por uma equipe de consultores brasileiros e latino-americanos. Interagiu com diversas metodologias que tem a participação, a responsabilidade social e a solidariedade como foco. Nos territórios, busca valorizar as experiências e metodologias locais, para que cada território estabeleça o seu modo de apoiar o desenvolvimento e se estabeleça como traço de sua identidade.

É uma metodologia de capacitação para promover o desenvolvimento dos territórios. Contempla conteúdos teóricos, técnicas e instrumentos, orientados por uma nova concepção de desenvolvimento e valores humanistas. A proposta da Metodologia é provocar mudanças de comportamento, respeitando a cultura, o saber e o modo de pensar das pessoas. Assim, a GESPAR busca despertar o protagonismo dos cidadãos e cidadãs, pelo trabalho com agentes produtivos, sociais e governamentais.

Quem Trabalha no IADH?

O IADH é constituído por uma equipe qualificada, com experiência nacional e internacional.

São profissionais que já trabalharam em projetos de parceria com várias instituições, acumulando ampla produção teórica e de experimentação em campo voltadas para processos de Desenvolvimento Local.

Sociólogos, pedagogos, economistas, agrônomos, psicólogos, advogados, jornalistas, gestores culturais e especialistas em tecnologia da informação fazem com que o Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano ofereça um trabalho multidisciplinar e integrado aos parceiros de instituições e empresas das esferas pública e privada.

Costurando Vidas

Fardamentos utilizados por operários de obras da Reserva do Paiva são matéria-prima no projeto Costurando Vidas. Desenvolvido em parceria com o Sebrae, oferece capacitação em corte e costura a mulheres moradoras das comunidades.

O projeto já reaproveitou cerca de 70% dos fardamentos para desenvolvimento de produtos como bolsas, carteiras, necessaires e outros itens.

Atualmente, o programa conta com a participação de 30 mulheres, que aprenderam uma nova atividade profissional e estão contribuindo para o aumento da renda das suas famílias.

Centro de Capacitação

O Centro de Capacitação e Formação no Cabo de Santo Agostinho, construído com o apoio da AGRP, já foi entregue àa prefeitura do município e está sendo equipado para iniciar a operação. O espaço abrigará as futuras instalações do Senac-PE. Sendo a primeira unidade da entidade na região, oferecerá cursos nas áreas de hotelaria, gastronomia, turismo, línguas, gestão e comércio, entre outros, grande parte deles gratuitos.

Projeto de Iconografia

Preservar a história e a cultura do Cabo de Santo Agostinho é a intenção do Projeto de Iconografia, idealizado pelo Sebrae e Prefeitura do município com a participação da Odebrecht Realizações Imobiliárias, através da Associação Geral da Reserva do Paiva.

Iniciado em 2011, a partir de uma pesquisa que identificou os elementos que melhor representavam a história, as riquezas naturais, a gastronomia, a cultura e as peculiaridades do município, símbolos foram criados para ajudar a qualificar o atendimento aos turistas, servindo como base para consultas e roteiros de visitação.

Esses símbolos estão reunidos em um Catálogo Iconográfico que serve de apoio para pesquisas e para fortalecer o turismo da região.

Projeto Mudas da Sustentabilidade

Para aproveitar e preservar a riqueza de espécies nativas da região, a Reserva do Paiva criou o Viveiro de Mudas, operado em parceria com a empresa Atmosphera Clima Verde Ltda.

Hoje com cerca de 100 mil mudas de 110 espécies, desde árvores nativas e em extinção a uma gama generosa de plantas ornamentais, o Viveiro tem como prioridade a reprodução de mudas nativas da restinga e da mata Atlântica.

Além do uso para o paisagismo nos empreendimentos e áreas públicas da Reserva do Paiva, as sementes e mudas abastecem escolas e projetos socioambientais.

Os visitantes e moradores também podem comprar exemplares no espaço, que é aberto à visitação.

Projeto Mangabeira

Árvore frutífera típica do Nordeste brasileiro, a Mangabeira, sofreu com a urbanização de antigas áreas verdes de praia, que provocou redução quase que absoluta da espécie. O Projeto Mangabeira foi criado pela Associação Geral da Reserva do Paiva, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o Viveiro de Mudas Atmosphera, com o propósito de salvar a espécie.

Iniciado em junho de 2012 com a produção de mudas no Viveiro do bairro, hoje o projeto já conta com três mil mudas de mangabeira encubadas. 300 já estão prontas para serem plantadas.

Quintais Produtivos

Com objetivo de promover o estímulo ao empreendedorismo e ao uso sustentável da terra nas comunidades vizinhas à Reserva do Paiva, o projeto capacita mulheres com base nos conhecimentos técnicos da Permacultura – técnica ambientalmente sustentável, socialmente justa e financeiramente viável.

Iniciado em 2013, é desenvolvido em parceria com o Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH).

 

 

Projeto melhora a qualidade de vida de parentes, amigos e vizinhos de mulheres em PE

Matéria elaborada pelo NE TV 2ª Edição em 03/10/2014;

http://globotv.globo.com/rede-globo/netv-2a-edicao/v/projeto-melhora-a-qualidade-de-vida-de-parentes-amigos-e-vizinhos-de-mulheres-em-pe/3672614/

 

Papéis da Vida

Iniciado em 2008, tem gerado profissionalização, emprego e renda a artesãos das comunidades.

Conscientes da importância da conservação ambiental, os artesãos do projeto usam resíduos gerados pelas obras dos condomínios, sobretudo sobras de papelão de sacos de cimento descartados, para confecção de produtos artesanais.

Em 2012, o Programa recebeu dois prêmios: um nacional, o Prêmio Máster Imobiliário 2012 na categoria Profissionais - Responsabilidade Social; e um local, o 2° lugar na categoria do Desenvolvimento Socioambiental do Prêmio SESI Qualidade no Trabalho.

Amigo da Praia

Com a instalação do empreendimento Reserva do Paiva, houve um grande aumento no uso e frequência das praias do Paiva e Itapuama. Consequentemente, aumentou-se também a geração de resíduos e demais elementos de alteração de rotinas.

Com a missão de preservar o meio local, o Projeto Amigo da Praia promove um processo de educação ambiental junto a moradores, turistas, pescadores, banhistas e usuários das praias por meio da distribuição de sacolas biodegradáveis e orientações sobre cuidados com áreas de risco para banho de mar, coleta seletiva, respeito aos espaços coletivos, conservação da biótica aquática e seus corais, uso adequado do ordenamento da orla, etc.

Construção da Agenda 21 local

A construção participativa do documento da Agenda 21 Local da Reserva do Paiva teve como objetivo iniciar um diálogo intercomunidades sobre questões socioambientais para promover o desenvolvimento do senso de pertencimento e participação na causa da sustentabilidade ambiental. Com isso, provocou-se uma reflexão sobre o lugar por todos sonhado, tendo como base as aspirações de uma melhor qualidade de vida para as pessoas que ali moram e vivem.

Incubadora de Projetos e Empreendedorismo de Negócios

Apoia tecnicamente e subsidia o desenvolvimento de produtos e/ou serviços oriundos de empreendimentos produtivos, sociais, ambientais ou culturais, que possam gerar trabalho e renda na comunidade e que sejam geridos de forma autônoma por grupos organizados. Tal iniciativa contribui para o desenvolvimento social, ambiental, econômico e cultural das praias do Paiva, Itapuama, Xaréu, Enseada dos Corais e Gaibu.

 

Desenvolvimento da Economia Criativa

O Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH) realiza, desde fevereiro/13, um levantamento das trilhas ecológicas existentes no entorno da Reserva do Paiva com o intuito de fomentar o turismo criativo na região. Como parte do componente de Desenvolvimento da Economia Criativa do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Local da Reserva do Paiva e Comunidades Vizinhas, o trabalho é feito em parceria com a Odebrecht Realizações Imobiliárias para diagnosticar os atrativos já existentes e formatar roteiros para o mercado, inserindo em cada trilha experiências sensoriais e culturais típicas da região.

Em abril de 2013, o mapeamento foi concluído e três trilhas estratégicas foram selecionadas com base em critérios técnicos. A partir deu-se início ao trabalho de formação dos empreendedores turísticos interessados. Em breve, estarão criadas três trilhas ecoculturais e vários produtos e serviços turísticos formatados, além de iniciado o processo de articulação de parcerias e de apresentação dos resultados à comunidade

Calendário anual de eventos comunitários

O calendário de eventos comunitários é um estímulo à produção artística e cultural local, além de uma oportunidade de promoção das potencialidades econômicas das praias do Cabo, entre as quais se destacam a produção artesanal e a culinária típica litorânea. 

As ações são idealizadas pelos moradores das praias do Cabo, através do envolvimento do Grupo Cultural Cabo de Santo Agostinho (GRUCSA) e apoio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Local da Reserva do Paiva e Comunidades Vizinhas, fruto da parceria entre Odebrecht Realizações e IADH – Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano, Rede Sustentável Consultoria, Associação Geral da Reserva do Paiva, Concessionária Rota dos Coqueiros e Prefeitura do Cabo de Santo de Agostinho.

 

 

Expo Reserva da Cidadania

O Programa Reserva da Cidadania, além de alinhado com a nossa Política de Sustentabilidade, está focado no aprimoramento e descoberta das habilidades de organização profissional e geração de renda dos membros das comunidades praieiras vizinhas ao bairro planejado Reserva do Paiva. Seu objetivo é contribuir para o desenvolvimento local sustentável buscando a melhoria das condições de vida, da ocupação e da renda, do exercício da cidadania e da articulação socioprodutiva.

Diante disso a Expo Reserva da Cidadania possui os seguintes objetivos:

·         Oferecer à moradores da Reserva do Paiva e visitantes do Empório Gourmet um ponto de venda fixa de alimentos frescos  tais como artesanatos, doces, geléias, comportas, hortaliças e verduras, lanches caseiros, chá e sucos da horta;

·         Criação de um espaço singular de convivência afetiva para moradores e visitantes do bairro Reserva do Paiva;

·         Criação de espaço de integração entre o bairro Reserva do Paiva e comunidades adjacentes; 

·         Apoiar o escoamento da produção dos grupos produtivos incentivados pelo Programa Reserva da Cidadania.

·         Contribuir para a geração de renda e trabalho das comunidades adjacentes ao bairro RdP;

A primeira versão do evento, em 23 de agosto de 2015, contou com cerca de 350 visitantes e gerou o montante aproximado de R$ 2.000,00 para os projetos assistidos. 

Trilhas do Cabo de Santo Agostinho - Para quem curte natureza e aventura

Praia, trilhas, paisagens paradisíacas, morros, mata e muito mais! O Cabo de Santo Agostinho é destino para quem curte o turismo ecológico e de aventura. Ele reúne um patrimônio histórico e natural que possibilita aos visitantes, experiências intimistas com a natureza, com a cultura local e com a história da região.

Nesse paraíso, com extensão de cerca de 20 quilômetros de litoral, com praias como Paiva, Itapuama, Gaibu, Pedra do Xaréu, Enseadas dos Corais, Calhetas e suas paisagens cercadas de coqueiros, ainda é possível mergulhar em outros encantamentos se aventurando por trilhas que contam a história do lugar. Elas são passeios para todos os gostos.

Da Descoberta, Caminhada Pinzón, Roteiro do Mar, Roteiro Terra, da Argila e dos Manguezais são algumas das trilhas que oferecem aos turistas a possibilidade de vivenciar encantadoras experiências por terra, escalada, mata, carro ou caminhada.  Os passeios têm preços variados, entre R$20 e R$ 150, e todos são feitos com ajuda de guias locais capacitados e integrantes do Programa Reserva da Cidadania, por meio do componente Turismo de Experiência.

No total são dez trilhas, divididas em quatro eixos temáticos: Praias, Ruínas Históricas, Matas e Manguezais. Nos passeios os visitantes conhecem lagoas, espécies nativas da Mata Atlântica, ruínas de fortificações, mirantes, experimentam tirolesa, apreciam a gastronomia local, e exploram praias desertas, manguezais e os sítios frutíferos da região, além de toda a beleza que o Litoral Sul do Cabo pode oferecer.  

 

Características das trilhas

Para despertar no viajante a delícia de aprender e se aventurar, a “Trilha da Descoberta” oferece o conhecimento sobre as belas paisagens que cortam as praias do Cabo, com o contato direto com um sitio arqueológico que remota ao passado do Brasil Colonial. O explorador desfruta de caminhos com praia, estrada e mata; travessia de riacho, com um guia para orientar sobre o tipo de vegetação, os recursos hídricos e as formações rochosas (provenientes do vulcanismo local, com separação das placas tectônicas da América do Sul e África), além da cultura local e a história da Região.  Com nível fácil, a caminhada tem um percurso de 3 km, duração aproximada de quatro horas e termina com um delicioso banho na Bica do Ferrugem, uma refrescante bica de água mineral. 

Para quem gosta de história, existe a “Caminhada do Pinzón”. A trilha dura aproximadamente quatro horas e inclui históricos trajetos visitados pelo navegador espanhol Vicente Pinzón.  Com início na Praia de Gaibu, o visitante se desloca até Forte de São Francisco Xavier, visita a praia de Calhetas com a divertida opção de se aventurar na tirolesa. O “explorador” também tem a oportunidade de conhecer a histórica Vila de Nazaré, onde abriga uma igreja do século XV, além das demais ruínas do Vilarejo, e de visitar os Faróis Novo e Velho, onde aprendem mais sobre a chegada de navegador espanhol Vicente Pinzón, em 1500. 

Se o desejo é contemplar paisagens paradisíacas e tomar muito banho de mar, a “Trilha das Praias” é a melhor pedida. Com um passeio de aproximadamente três horas, o visitante caminha pelas praias de Itapuama, Enseadas dos Corais, Gaibu, Calhetas, Paraiso e Suape, conhecendo as diferentes paisagens com piscinas naturais de águas quentes, mar com ondas agitadas para o surf, mar sereno, além de comtemplar o visual natural da região.

Além da trilha das praias, é oferecido o “Roteiro Mar”. O passeio parte da Praia de Gaibu e segue em direção ao seu morro e mirante natural para desfrutar da bela vista. Com duração de cerca de quatro horas e dificuldade média, o caminhante poderá perceber no entorno os diversos ecossistemas que fazem parte do percurso, resquícios de Mata Atlântica, recifes de corais, arenito e o próprio mar, que será sempre protagonista do passeio. 

Ele irá conhecer ainda a Praia de Calhetas, apreciar as comidas praieiras do Bar do Artur, repleto de fotos de celebridades nacionais e internacionais que já frequentaram o local. No final, os visitantes conhecem o Parque Armando Holanda Cavalcanti, parque estadual tombado pelo IPHAN e repleto de belezas naturais. No roteiro ainda tem a Vila de Nazaré, com boas opções de restaurantes, servindo a variada gastronomia pernambucana. Essa trilha também pode ser feita através do “Roteiro Terra”, semelhante, mas durante o passeio são priorizados os trajetos pela Mata Atlântica e no final do passeio o visitante conhece a paradisíaca Praia do Paraiso.  

Para quem gosta de explorar mata com sons da natureza, a escolha é a “Trilha do Zumbi”. O passeio leva o visitante até a Lagoa do Zumbi, que fica inserida na mata de mesmo nome, em enseada dos Corais. Com um trajeto tranquilo, relaxante e encantador, é possível conhecer um território isolado, com belas paisagens nativas de Mata Atlântica e “ouvir” o ambiente.   

Já pelo passeio, “Roteiro Mangue”, o itinerário começa na Baía de Suape, onde há um ancoradouro natural para pequenas embarcações. Águas calmas e convidativas para agradável banho de mar, e o acesso para trilha se dá pela pequena Vila de Suape, com casas antigas e bucólicas. Dentro do trajeto é possível conhecer o ecossistema costeiro, com momentos de transição entre os sistemas terrestres e marinhos, com animais como caranguejo, aratu, sururu e guaiamum, além da flora típica da região. Seguindo pela trilha, ainda é possível apreciar a vista e observar o Estuário do Rio Massangana e encontro da água doce do rio com a água salgada do mar de Suape.

Para conhecer a geografia do Litoral de Cabo de Santo Agostinho por um belo passeio pelas suas rochas, a escolha perfeita é a “Trilha Encostas do Cabo”. Com duração de duas horas, o visitante conhece ruínas históricas e a rotina dos nativos, com curiosidades sobre a cultural local. Ainda é possível conhecer a fauna, como bicho preguiça e o cachorro bravo, além da floral nativa, entre elas, Araçá, Caju, Dendê, Guajirú, Macaíba, que são apresentadas aos turistas de forma diferenciada. 

Para explorar o berço da vida marinha e conhecer mais sobre a importância do mangue, uma ótima opção é a “Trilha dos Manguezais”. Através do passeio, o visitante poderá descobrir elementos naturais como argila, água e árvore de formas únicas. Com contato direto com a natureza, o viajante aprende sobre técnicas artesanais de captura de caranguejo, com detalhes e sutilezas sobre a fauna e flora local, numa experiência singular. De forma encantadora, os visitantes poderão aprender sobre o Aratu e a cultura do pescado nativo. 

 

O divertido banho de argila

 

Situada na Mata Duas Lagoas, entre as Praias de Itapuama e Enseadas dos Corais, a “Trilha da Argila” é a mais tradicional. O banho de argila é tão famoso que se imortalizou no videoclipe da música “Maracatu Atômico”, do Chico Science e Nação Zumbi, de 1996. A lagoa onde está a argila é formada por uma nascente de água mineral, e reza a lenda que o contato direto faz bem para pele.  Folclórico e diferente, a diversão do banho começa quando o visitante entra na lagoa, coleta a argila e passa por todo o corpo, esperando ela secar.

Até o famoso banho leva-se uma hora e meia de trilha. Durante a caminhada, o visitante aprecia um delicioso “mergulho” por trecho de Mata Atlântica, onde é apresentado a diversas espécies da flora como jameleira, cupiuba, pau brasil, açaizeiro, sucupira, abjemia, jaqueiro, entre outros.  Durante o trajeto, há também crateras vulcânicas e mirantes naturais tanto para mata fechada como para as praias da região. Durante o passeio, também é possível avistar animais como quati, cotia, porco-espinho, capivara, preguiça, maçupial, tucano, pica-pau, tatu, entre outros.  Uma verdadeira imersão da Natureza. 

Banco Comunitário

A iniciativa de criação de um banco comunitário surgiu para atender demanda dos microempreendedores daquela região, que tinham dificuldades e restrições para acesso a crédito nas instituições financeiras públicas e privadas. O Programa Reserva da Cidadania -  impulsionado pela Reserva do Paiva, Concessionária Rota dos Coqueiros e Associação Geral da Reserva do Paiva, com apoio técnico do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH) -, levou a ideia aos integrantes do Programa, com a proposta deles próprios gerirem o banco. Completado um ano e comemorando total adimplência dos seus “clientes”, o saldo positivo está em ajudar a 55 pessoas microempreendedoras da região a ampliarem seus negócios.

Mulheres são maioria

Dos 55 microempreendedores iniciais, 32 são mulheres, que atuam principalmente no ramo da gastronomia e que já se aventuram na renovação do empréstimo. 15 aderiram a primeira renovação e em segunda fase, oito delas já estão na segunda renovação, fazendo seus negócios prosperarem, num total de 54 operações apenas realizadas por mulheres. Os homens, apesar de em menor número, também já realizaram empréstimos e renovações, totalizando 34 operações. O banco comunitário tem 88 operações registradas, sendo que seis delas aguardam liberação.

Assim como muitos comerciantes de caldinho, que carregam sacolas pesadas nas mãos, Amara Gomes, 57 anos, sofre as consequências na saúde. Moradora de Gaibú, ela trabalha na praia de Suape há mais de 20 anos e hoje conta com a ajuda dos netos. “Além dos caldinhos, eu também vendo peixe assado e caranguejo. Carregar tudo isso nas mãos é um sofrimento, a coluna já não aguenta mais”, conta a ambulante.

Amara procurou o banco comunitário pela primeira vez para tentar um empréstimo e realizar o seu maior sonho, comprar uma carroça e deixar de carregar as pesadas sacolas de caldinhos. O primeiro microcrédito disponível para ela é de R$ 500, que deve ser pago em 5x de R$110. “Eu quero comprar uma carroça, de segunda mão mesmo, vai facilitar o meu trabalho, já não tenho essa juventude toda para ficar abusando da saúde”, ressalta. Com o apurado nas vendas da praia, ela sustenta a casa e ajuda a manter os filhos e netos.

Cachorro-quente, amendoim, bronzeador e protetor solar são produtos típicos das praias pernambucanas e, na carroça de Maria Madalena da Conceição, conhecida como “mini supermercado ambulante” não falta nenhum desses itens. Apostando no segundo empréstimo no banco comunitário, ela comenta: “ o banco nos dá a oportunidade de renovar nossos negócios e ampliar para outros segmentos, vou comprar novos produtos para minha carroça”.

Com um fundo inicial de R$ 20 mil, o banco fez girar e circular R$ 52 mil após um ano, um montante significativo para uma parcela de microempreendedores que não tinham crédito nos bancos convencionais. A maior parte dos empréstimos concedidos foi no valor de R$ 500,00, totalizando R$ 29 mil, os demais tiveram o valor inicial de R$ 1 mil e somaram R$ 23 mil. 

Como participar

Os empréstimos têm regras a serem cumpridas: no primeiro contrato, o credor pode financiar R$ 500 e pagar o débito em cinco parcelas de R$ 110 (R$ 105 para o banco e R$ 5 para a poupança). “Se o último empréstimo for pago sem atraso, a pessoa pode pegar o segundo de R$ 1.000 e pagar cinco parcelas de R$ 220 (R$ 210 para o banco e R$ 10 para a poupança). O terceiro em diante também. Todos os empréstimos são feitos por transferência bancária”, diz Eliete Lopes, presidente do banco comunitário. O banco rende 1% de juros em cada crédito concedido e a partir desta nova fase, cada atraso no pagamento renderá mais 1% calculado sob os juros.

Para adquirir um empréstimo, o credor precisa ter uma conta corrente na Caixa Econômica Federal, preencher uma ficha de inscrição e assinar o contrato. “Os interessados no investimento ainda têm que formar um trio com pessoas de muita confiança. Eles ficam responsáveis um pelo outro. Se um não paga, o outro vai lá e cobra ou até assume a dívida”, ressalta Lopes.  A mesa diretora do banco comunitário é composta por Eliete Lopes, presidente do banco, Joaquim Soares, tesoureiro e Graça Maciel, secretária.

Desde o início do projeto, os envolvidos participaram de capacitações financeiras, com o apoio técnico do IADH, para aprenderem a trabalhar com o dinheiro. Neste mês, os participantes do banco comunitário estão recebendo a capacitação sobre educação financeira do Banco Acreditar, banco comunitário de Glória do Goitá, Zona da Mata do Estado, criado em 2001 com o mesmo objetivo do Reserva da Cidadania.

Reserva da Cidadania– Programa Reserva da Cidadania, desenvolvido junto às comunidades praieiras do Cabo de Santo Agostinho, tem apoio técnico do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH) e é viabilizado pela Reserva do Paiva e pela Concessionária Rota dos Coqueiros.

Pescadores tradicionais ganham ponto de apoio na Praia do Paiva

Pescadores do Cabo de Santo Agostinho tem mais um motivo para comemorar. A Prefeitura Municipal firmou parceria com a Associação Geral da Reserva do Paiva e a Colônia de Pescadores Z8, para criar um ponto de apoio para a prática da pesca artesanal na região e inauguraram, na sexta-feira (29/04), o Rancho Pesqueiro. A ação conta ainda com o apoio do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH) que dará o suporte nas ações de empreendedorismo, de engenharia de pesca e no fortalecimento da identidade caiçara.

O espaço, que fica localizado em área pública municipal vizinha a Praça do Paiva no Loteamento Reserva do Paiva, servirá de abrigo para as embarcações, armazenamento dos pescados e depósito para os instrumentos de trabalho dos pescadores, tais como: redes de pesca, anzóis e motores para fazer a transferência das jangadas até o mar. Além disso, todas as embarcações passaram por um processo de restauração. O projeto teve início em 2013, com a realização de um diagnóstico no local, visando propor ações para atender as reivindicações dos pescadores artesanais da melhor maneira.

O grupo, que é formado por 22 pescadores, mostrou-se bastante satisfeito com a conquista. O pescador e artesão José Marcos, comentou que é morador da praia há mais de 50 anos e vê a chegada dos novos moradores da Reserva do Paiva como uma mudança positiva. “Agora com a caiçara vamos poder guardar os nossos materiais de trabalho e com organização vamos poder oferecer os peixes com melhor qualidade para os nossos clientes”, disse.

O secretário Municipal de Planejamento e Meio Ambiente, Arthur Albuquerque, esteve na inauguração representando o prefeito Vado da Farmácia e reforçou a importância da realização de mais uma parceria da gestão municipal com a Associação da Reserva do Paiva e a Colônia de Pescadores. “Parcerias como esta visam fortalecer as comunidades tradicionais caiçaras atuantes e ampliar a geração de renda e o valor agregado dos produtos da pesca artesanal, podendo ser replicadas como exemplo positivo para o surgimento de outras iniciativas de responsabilidade social”, destacou Arthur.

“A ideia da caiçara pesqueira é oferecer condições dignas para que esses grupos de pescadores possam desenvolver melhor o seu trabalho e se sentir valorizados, além de contribuir na preservação do meio ambiente”, comentou o gestor da associação da Reserva do Paiva, Gabriel Belmont. De acordo com a socióloga do IADH, Adriana Franco, os próximos passos da Agenda Positiva da Pesca é continuar o processo de formação para os pescadores promovendo encontros e palestras a fim de melhorar a produção e comercialização dos frutos do mar.

Fonte: http://www.cabo.pe.gov.br/index.php/pescadores-tradicionais-ganham-ponto-de-apoio-na-praia-do-paiva/







"Queria dar uma TV de presente para o meu neto e consegui com o dinheiro da venda das flores artesanais. O dinheiro que sobra eu coloco na poupança pra garantir meu futuro."

Sebastiana Barros Silva, 51 anos, participante do Papéis da Vida

"Quando os trabalhos da AGRP começaram as mulheres da minha comunidade viviam paradas, sem saber o que fazer. Hoje, elas têm renda, aprenderam uma atividade, e ainda ajudam às suas famílias"

Marluce Maria dos Santos, 62 anos, instrutora do Costurando Vidas

"Entrar nesse grupo foi a melhor coisa da minha vida. Antes eu só ficava em casa e hoje ajudo na renda da minha família."

Talita Santos, 57 anos, costureira